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Uma História Antes do Começo
Ela se levantou, exausta. Parecia que não havia dormido nada na noite anterior. Seu corpo doía, e seu cérebro clamava pelo querido sono. Infelizmente, não seria possível.
Era só mais um dia, louco, patético, como qualquer outro que ela viveria. Que viveu. Esse pensamento passou pr sua cabeça como uma luz acendendo. Se apagou.
Escovou os dentes. Tentou controlar o embaraço louco de seus longos fios negros. Maquiou seus grandes olhos amendoados e inocentes. Olhos de criança. Sorridentes e vazios. Simples esperanças mortas se resumiam ao seu olhar. Olhos profundos. Que tragavam a alma de quem os encarasse. Ressacados. Profundos. Dois buraco negros em um rosto sem vida. Pálido. Em junção com uma bela boca carnuda e bem delineada.
O Sol já estava alto quando ela se viu em uma sala. Estava na escola. Ótimo. Ela não estava com a menor vontade de suportar outro dia em sociedade. E seu pulso doía. O enorme corte que havia se aberto com o simples passar de uma lamina era tão profundo que era possível ver seus tendões e camadas internas de carne. Embora ela vão tivesse mostrado para ninguém ainda, pensava continuamente, preocupada, qual fim teria aquele buraco de carne.
A aula decorria imperceptivelmente. Sua mente estava nas nuvens. Lugar longe. Azul e branco. Perdida entre o que era real para ela e o que era real para outros.
"Afinal, o que seria real para todos?" - Esse pensamento lampejou em seus olhos. Olhou para o pulso. Ele sangrava por baixo da munhequeira preta de pano, escrita em letras brancas "Sepultura" que havia posto para esconde-lo. Irônico. Irônico como um simples nome de banda poderia fazer tanto sentido e se encaixar tão perfeitamente em tal situação não tão corriqueira da vida de uma adolescente de 17 anos.
Longos 17 anos.
Ela se levantou. Então.não via nada ao redor. Então, nada importava.
A porta se aproximava gradativamente. A escuridão se espalhou ao seu redor. O brilho. A porta. A saída. Fuja, saia daqui. Você precisa correr. Seu tempo está acabando.
A luz aumentou. Ela a cegava. Seu coração disparava não deixava sua respiração se acalmar. Só mais dois passos. O relógio de parede cantava ao seu ouvido.
"Tic Toc Tic Tic"
Só mais um passo. Sua mão estendida tremia. Seus ouvidos estavam surdos ao mundo. Sua boca estava seca. E não via nada.
Sua mão tocou a maçaneta. O frio do ferro se juntou com seus dedos gelados e sem vida. Rodou de vagar. O tempo parecia parado. Para onde iria?
Seus olhos se reviraram. Ela não estava mais lá.
"A porta foi a passagem de sua doce e delicada alma para o desconhecido. A transição para o inverno"

Ela morreu?
ResponderExcluirBrincadeira, achei esse primeiro texto mais leve e vívido de se ler que os demais :'))
ExcluirVocê acha que ela morreu?
ExcluirEle é assim porque ela estava caindo para a loucura nele ainda. É só a primeira parte de um longo romance psicológico.