- "- OI.
- - ...
- - Oooi!
- - O que você quer?
- - Conversar s2
- - ... hum
- - Você já reparou no vento?
- - Vento?
- - Sim, o vento. O que ele diz pra você?
- - O vento não tem voz pra falar, tola.
- - Claro que tem! Como você acha que ele conversa com a natureza para começarem a dançar?
- - Que merda que você está falando? Deixe de me confundir.
- Ela se cala por alguns minutos, pensativa. Observa o céu crepuscular. Seus olhos cintilam como as estrelas no céu e a lua reflete em seus traços infantis. Suas sobrancelhas estavam tensionadas, coisa que não combinava com seu rosto inocente. Depois de alguns instantes no silencio da noite, ela se vira para mim com ar sério e recomeça.
- - Quando o suspiro do mundo bate nas calmas águas do mar, eas se revoltam, e as ondas começam. Cada vez mais altas. E só o acalentar doce e quente das areias da praia podem acalma-las de novo. Mas não culpe o sopro. Ele não tem culpa. Só queria brincar. Você não esculta sua discussão? E quando a brisa toca nas flores e espalha seu delicado pólen para o mundo. Começando uma doce melodia que sobe até o espairecer dos céus. Como não pode escultar a música delicada que se segue? Fina e tranquila. Ela me embrulha a alma com inebriante mágica...
- Ela se interrompe. Eu, que escultava tudo com extrema atenção, me comovi. Eu já escutei. A delicada música do mundo. Tudo nele fala. Tudo nele canta.
- Saio de meus devaneios e me viro para o rosto angelical novamente. Um delicado cristal escorria pelo seu pálido rosto fresco. Meu coração se fechou com a dor de uma apunhalada. Sorri com delicadeza. Tirei seus claros cabelos dos olhos e disse-lhe.
- - Eu os vejo. Mesmo que a idade não me permita mais. Mesmo que a sociedade se recuse a aceitar esse fato. Eu os vejo, os sinto e os esculto. Você não está só. E nunca estará.
- Duas esmeraldas gigantes focam seu brilho em mim, com real surpresa e espanto. Sua incredulidade me fez sorrir mais ainda. Com vagareza, seu rosto voltou ao brilho celestial novamente. Sua risada delicada encheu meus ouvidos com seu toque musical. Graciosos braços se jogaram ao meu redor, me abraçado. Me esquentou a alma como num dia frio de inverno que tomamos chocolate quente. Inebriante era seu cheiro.
- Meu pequeno anjo se levantou. Sua alegria toda recomposta. Meus olhos cansados a acompanhavam a fio, não queria perde-la de vista nenhum instante. Ela sorria.
- Sentada naquele chão frio. Com as plantas se enrolando em meus tornozelos, eu ouvi.
- 'plim, plim'
- Olhei para cima. As estrelas tinham voltado a cantar. O Vento não ficou para trás. E logo tudo ao redor sincronizava uma melodia perfeita. Tocava a alma. Só os ouvidos mais finos poderiam escultar. Era mágico.
- - Eu tenho de ir...
- Olhei com curiosidade meu pequeno anjo. Ela me observava com ternura e saudade.
- - Os outros me chamam. - ela me disse, sorrindo, preocupada.
- - Eu sei.
- Ela foi se distanciando a curtos passos. Seu brilho se esvanecendo. Já podia ver através dela quando uma forte rajada de vento passou por ali. Fazendo as árvores reclamarem, as folhas se levantarem do frio chão e meus olhos se fecharem.
- Meu pequeno anjo já não estava lá.
- Sorri com tristeza. Eu não me permitiria perde-la. E não saberia dizer quando a veria novamente.
- Só o vento poderia me dizer. Ele me diria com certeza.
- Me levantei, limpando a terra do meu jeans.
- 'Sim, ele me diria. Só prestando atenção ao seu chamado e canção que teria meu doce anjo de volta. Só assim poderia vê-la novamente.'
"Só uma pequena parte da minha mente paradoxal. Descrita com confusão e expressada com dificuldade. Perdida entre dois mundos elementares. Você não precisa entender, apreciar e a melhor arte. Vamos, pode entrar. Seja bem-vindo ao meu mundo."
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Vozes Sussurrantes
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