Os Dois Lados da Face
Ela olhou em volta, aturdida. Era um homem. Pelo menos parecia que era pelas roupas que usava, mas seu rosto parecia coberto por uma nuvem negra. Como uma máscara flutuante.
Seu coração disparou. Seu corpo congelou. Ela o conhecia. Aquela doce voz já havia lhe falado antes, em sua cabeça. Já haviam conversado inúmeras vezes. Diálogos que ela as vezes achava que eram simples monologos, mas que no fundo, ela sabia que ouvia uma resposta. E que fluiam tão bm como os ventos de outono.
O homem lhe sorriu. Era sarcástico. E um ar de mistério emanava dele. Sua pose descontraida não combinava com seus olhos atentos. Olhos... não conseguia ver nada em seu rosto com clareza além dos olhos. Grandes olhos verdes. Verde musgo. Sem brilho.
" Venha aqui." - Ele me estendeu a mão, como um velho amigo, e sua voz ficou doce e gentil. Me embriaquei com seu mel. "Será ele mesmo? E se for, não deveria ter eu medo dele?" - Estava confusa. Ele já le havia feito muito mal, mas era sua companhia em horas que ninguém era. Sempre com ela. Ela nunca estava sozinha.
Percebeu a mudança no ar com esses pensamentos. "Ele ouviu" - Sobressaltada, ela se sentiu pela primeira vez, com medo desse misterioso ser, que tanto a acompanhou.
= Quem é você?
As palavras sairam em um sussuro de sua boca, como fumaça recém tragada. As palavras se formaram no ar a sua frente e se dissepando a medida que a outra era pronunciada. Fumaça colorida. Ecoaram pelo ambiente. Até chegarem ao homem.
- É melhor nós sair-mos daqui.
Simples e direto. Ele se aproximou apassos rápidos, a agarrando elo pulso. Era ágil.Logo estavam indo, mas, para onde? Ela olhava ao redor. Tudo parecia um borrão de cores esfumaçadas e escuridão. Ele não diminuiu o passo. Constante e decidido, ele seguia.
Pararam. Parecia o mesmo lugar de onde haviam saido, de acordo com ela, olhando ao redor. Só não possuia o buraco no chão. Era só escuridão. Ela fixou os olhos no homem. Ele se dirigia para uma sombra mais escura que o resto. Um feixe de luz surgiu no meio da sombra. Era uma porta. Uma porta de fumaça. Ela estranhou. Portas são feitas de madeira maciça, não de fumaça, mas via-se a maçaneta e a luz saindo pela fechadura. Além da divisórias. Então era uma porta.
Ele mexeu em algo do bolso da calça e tirou uma chave. Uma chave comprida, meio sombra meio prata. Ornamentada com rubis. Eles se mexiam, seguindo o material semi fumaça, semi prata, como se tivessem grudados com imas. Era mágico. Ele colocou a grande chave de fumaça na porta de sombra, tampando o feie de luz. Um creck ensurdecedor encheu os ouvidos dela. E o ramger de mil fechaduras se destrancando, uma atras da outra, se seguiu. O homem deu um passo para trás e a porta se abriu, rangendo alto. Uma luz branca encheu o ambiente mas nada era visto mais do que antes.
Ele a encarou, sério. Metade de sua rosto era só luz branca. A outra metade se confundia com as sombras. Ela foi se aproximando devagar. A cada passo que dava se sentia mais curisoa e amedrontada. Parou ao lado do homem. Em frente a luz branca. Olhou para dentro mas nada se via. Sentio um toque frio percorrer sua mão e dedos fortes se entrelaçaram com os seus. Ela o olhou. Ele sorria. E ela pode ver seu rosto.
Era um belo rosto. Com um nariz romano forte e uma mandibula forte. Era jovem, não parecia ter mais que 21 anos. Era mais alto que ela pouca coisa. E vestia um terno cinza, que contrastava com seus olhos. Seus cabelos negros e rebeldes deixavam mais elegante ainda.
Então a luz os absorveu.

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