segunda-feira, 9 de junho de 2014

Doces Pesadelos





Tarde da noite. Lua cheia alta no céu. Sua mente estava absorta no álbum de Gorillaz que tocava ao fundo e seus olhos não desgrudavam do viciante jogo de RPG online. Passava o dia assim. Jogo, música e erva. E nada mais importava, era a sua paz.
Só algo a incomodava.
Sua mente estava parada. Apesar de inspirações constantes irem e virem, ela não as aproveitava. Estava diferente. Algo em si mudara.  Todos que a conheceram antes sabiam o que era. Somente ela não conseguia identificar o que exatamente era diferente.
Se sentia em outra dimensão. Uma dimensão mais colorida. Psicodélica.  Era algo que ela não havia experimentado antes e não sabia reagir a tal coisa. Seus pensamentos só ficavam em sua mente. Muitos deles que ela adoraria descrever com facilidade mas não podia. Sua lado artístico não pertencia a tal lado.
Ela queria sair, agir, mudar, viver nesse novo mundo colorido. O preto e vermelho não haviam sumido, claro. Todas as noites a aranha da desolação e desespero a picava com sonhos e pesadelos de mundos extraordinários e desolação. Morte e luta. Perdas e conquistas. Fracassos pessoais. Pensamentos perigosos e viciantes. Atos.
E ele sempre está lá, com ela. Envolvendo-a com sua adorável e inebriante energia. Ela sabia, só não sabia por quê ele se fortificava longe de casa. Será que algo a protegia? Talvez...
E os os sonhos continuavam. Sonhos de luta contra monstros e mortes de amigos. De escuridão e vícios. Poderes sobrenaturais, mágicos. Castelos e refúgios. Era nesse mundo que vivia. Mesmo com seus olhos abertos, ela sonha. E a aranha continua lá. Era ruim, ela sabia, mas não podia evitar. Era tão delicioso.
Seu medo nã era da morte e nem da luta. Ela temia a perda de quem a respeita e ama. Apesar de afirmarem com total convicção de que não a deixariam e não seria julgada, ela temia.
Seu outro mundo estava em perigo. Era o mundo real para os outros, e de ilusão para ela. Pois ela vivia na fantasia. Ela vivia na noite, sobrenatural.

E era lá, no meio da guerra entre monstros, que ela sentia sua paz. Onde a aranha manda. A aranha que só ela pode ver. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Samantha




“ Morrer não dói. Quando uma bala atravessa seu crânio explodindo todo seu cérebro você não tem reação. Você não sente nada. Você não vê nada. Você só cai. Cai em um abismo sem fim...
A morte não é triste. A morte não dói. A saudade dói. Saudades daqueles que já se foram. Que você nunca mais vai ver. Saudades daqueles que te fizeram feliz. Que te fizeram sorrir. Que te fizeram bem. Por isso você chora. Por isso dói.
Eu nunca mais vou vê-los. Eles nunca mais vão me ver. E Eu vou sofrer. Mesmo depois da morte. Porque a morte não dói. A culpa dói. O pecado dói. A morte não dói.
Ela é como um sopro. Não um sopro da vida de Deus. Mas eu sopro frio... Gélido. Que te carrega pra longe e te deixa no mesmo lugar. O sopro. Discreto. Mas forte. Só um sopro.
Como apagar a vela do bolo de aniversário. Aquele é o sopro. O sopro da morte. Curto.
Apague sua vela. Você vai conseguir?
E depois?...
Apague sua vela. Você não consegue mais.
Sorrisos, cores, bolo... Fogo. Vela. Sopro. Choro. Você fica e você vai. Você some mas você esta lá. Saudade... Não chore, eu estou aqui. Estou com você. Porque você está chorando? Eu estou aqui. Você não me vê? Você não me sente mais. Porque eu estou frio? O sopro apagou meu fogo. Ele me consumiu. Eu estou aqui.
Não chore mais. Eu não estou mal, não doeu. Eu juro. Eu não chorei. Eu não gritei. Eu não senti nada. Foi só um sopro. O sopro da morte.
Eu queria isso, não queria?...
Saudades. Agora eu vejo tudo cm mais clareza.
(Quero que tudo acabe.)
Esse não é o meu lugar...
Onde é o seu lugar?
Eu não sei. Perdido. Perdido.
Olhos frios. Olhos de dor. De maldade. Desespero. Olhos frios. Foram esses olhos que me apagaram. Sopraram. Olhos sem bondade.
 Um passo. Um sorriso. O ultimo. O que você vê? Estranho. Um estranho. Depois outro, e outro. Três. Onde estão? Vindo para cá... O que está acontecendo? Tem algo errado, mas não sei o que é. Um grito de alerta. Muito tarde. Muito devagar...

Um. Dois.

Por que tudo ficou frio?

Eles não são humanos também? Eles também tem uma vela. Um sopro.

“Pam Pam”
De novo. Agora ao lado. E mais um. O que está acontecendo?
Barro. Cimento. Poeira. Água?... Eu estou vazado água. Como uma piscina furada.
Mãe! Mãe... Ajude-me. Socorro...
Socorro.

Mãe... Tome cuidado. Eu não posso te perder.


Porque eles fazem isso? Porque eles fizeram isso?
(Chorando)
"Mãe." “


Samantha chora. Ela desejava a morte, mas quando tal lhe acolheu, de maneira trágica, ela se arrependeu. Dois tiros. Assassinato. Isso não passou de uma brincadeira para eles. Não foi nada de mais.

Agora ela chora. Seu desejo foi cumprido. Inesperado. Ela já não está entre nós. 

Sorrisos



Sinto-me morta, mas meu coração não para de bater. Sinto-me viva, mas sou apenas um cadáver. Perdida entre dois mundos. Eu os vejo. Os sinto. Comunico-me. Eles não estão vivos. Assim como eu, por dentro. Eles me querem. Ver minha derrota é o único objetivo. Vejo-os sorrindo. Eles almejam minha fraqueza. Quando estou mal, eles estão sempre por perto.
Sombras. Sorrisos. Vultos. Choros. Eu os vejo. Estão me controlando. Eu não sei o que fazer. Eu não consigo me libertar. Vozes em minha cabeça me enlouquecem. Eles estão tomando o controle.
Estranhos conhecidos. Eu já os vi. Estão mais fortes.
Uma suicida. Um psicopata. Uma viciada. E uma além dos limites. Eu os conheço. Estão todos comigo. Falando-me coisas que eu não consigo ignorar. Eu não vejo luz. Muitas mulheres. Um robô. Um homem que sempre troca a camisa. Ele nunca se lembra com qual camisa eu o vejo. Ele se assusta e da um pulo quando eu o chamo. Ri. Ele sabe que eu o vejo mas se surpreende pela minha capacidade. Ele vem em minha direção e para em minha frente. Invisível. Está sorrindo. Seu corpo se dissolve em questão de segundos quando abro a boca. Virou fumaça. Confusão. Ele não está mais lá.
Uma menina. Quer me chamar atenção. Joga pequenos pedaços negros de fuligem na parede para onde estou olhando. A suicida. Chama minha atenção.  Está em minha frente. Semimorta, semiviva. Eu a chamo.
- O que você tem, minha querida? Não fique tão triste.
Ela me escuta. Senta-se aos meus pés e se encosta-se em minhas pernas dobradas. Ela está triste. Ela sente a tristeza que eu mesma sinto. Escondendo meus próprios pensamentos e tristezas, digo-lhe.
- Você é uma menina tão linda. Não precisa usar de violência para chamar a atenção.
“Me desculpe, me desculpe.”
Seu sussurro é tão baixo que é quase inaudível. Ela é tão bela. Tão triste. Queria poder fazer mais por ela. Eu a toco. Ou pelo menos tento. Sua energia é a única coisa que posso sentir. Sua voz tão doce, tão bela, tão escurecida.
- Tudo que você precisar fazer busque orientação divina,
Ela vai se dissolvendo entre meus dedos.
“Me desculpe.”
Ela não estava mais lá. Eu não a via. Só sentia.
Outro alguém aparece. Um homem. “Gabriel” logo penso. Minhas sobrancelhas se franzem. Ele está perto do teto. Seus braços abertos e postura onipotente. Ele ri de maneira doentia. Ele sabe e eu também. Ele está mais forte. O cenário ao redor não passa de cores. Preto, vermelho, cinza.
Me vej em meu quarto novamente Uma voz me fala ao ouvido. “Ele está te chamando”. Estranho, eu na estava esperando ninguém. Levanto-me da cama e vou para a porta da frente. Vislumbro um homem sentado na cadeira da cozinha, mas logo desaparece. Ignoro. Abro-a. não tem ninguém lá. Volto para o quarto e  falo para o nada.
- Muito engraçado.
Deito-me. Vislumbro Gabriel à porta. Ele sorri de maneira doentia. A menina também esta lá, mas não o vê.
“Jogue energia nela.”
E é o que eu faço. Aos poucos, consigo vê-la melhor. Longos cabelos negros que chagavam a sua cintura, lisos e brilhantes. Cobriam seu rosto. Ela não me via mais. Estava andando em círculos, como se ocupada com algo. Ela deve ter percebido minha energia, pois logo desaparece novamente. Gabriel também não estava mais lá. “Que seja” penso.
O Homem que sempre troca de camisas aparece. Ele confunde minhas memorias. Apagando e transformando. Não sei o que ele faz, ele nunca deixa eu saber. Só sei de suas camisas. Camisas polo, listradas, prestas, vermelhas. Ele brinca de mais. Logo se cansa de tentar acertar a camisa que estava no começo de minha memoria e vai embora.
Outro alguém. Uma mulher. Um homem. E um robô. Estão a minha volta. Isso parece um sonho. Memorias que parecem sonhos... Mas estou acordada. Milhares de mulheres bela e idênticas aparecem. Todas em fila. Todas cantando de maios. Elas me olham feio. Os três ao meu redor conversam. Pastilha de energia enfileirada vem em minha direção e passam por mim. Tento toca-las. Não consigo. O robô me diz que são protegidas por um campo magnético. Quem não faz parte desse mundo não pode toca-las.
- Oooooi.
Um voz feminina chama minha atenção. Já não vejo as milhares de mulheres idênticas enfileiradas. Nem os três que conversavam ao meu redor. Essa pequena criatura está em minha frente. Ela sorri de modo travesso. Natasha. Está segurando em isqueiro preto. Seu corpo é transparente. Ao seu redor, uma luz azul. Sua energia.
- Oi.
Ela brinca. “Buh”!. Sua risada infantil combina com seu sorriso. Ajoelha-se no chão entre meus joelhos e repeti “Buh”. Com certeza ela era a mais travessa. Era magra e pequena. Como uma fada.
Minha gatinha estava do eu lado. Ela via mais ignorava o movimento ao redor. Dormia. Ao seu redor também avia energia. Era azul. Toquei-a. “Olhe, ela eu posso tocar. Ela é do meu  mundo... Bom, pelo menos metade é.”. Olho entre minhas pernas, a guria não estava mais lá. Certo. A energia também sumira. Eu não a via mais.
Toda essa bagunça em apenas uma tarde.
Minha cabeça pia alto. Algo estranho estava acontecendo. Uma mulher. Bela mulher. Ela fala comigo. Algo importante, muito importante. Sua voz era urgente. Não tínhamos tempos.
De repente, o quarto é tomado por sombras. Demônios. Eles saem das paredes com seus sorrisos aterrorizantes, olhos famintos. Meu coração dispara. Eles se multiplicam ao redor em sombras. Sombras que explodiam. Mais parecia ferro derretido, borbulhante e negro. Estão caindo em cima de mim. Negros, vermelhos, e de um amarelo doentio. Doença, morte, destruição. Eles querem me tomar.
A mulher cria uma barreira de energia e me entrega algo Um papel.
- Guarde-o com sua vida.
“Mas o que é isso”. Ela desaparece e sou absorvida em negro. Minhas mãos se fecham entre o papel. Meu grito é agudo. Ensurdece-me. Tão frio. Eles me absorvem. Protejo meu rosto com os braços. Desespero, maldição.
Minha respiração era ofegante. Estava quieto. Abro os olhos. Eles não estavam mais lá. Eu não os via. “O que será que aconteceu”.
Mais um trago. Mais uma visão. Já estava exausta. Mas não podia parar.
Os estranhos conhecidos estão ao meu redor, eu sei. Espreitando, velando. Desejam minha morte.
Cada um com sua personalidade. Cada um com seu desejo.
Eu não sei mais o que fazer”
Como uma benção caindo sobre mim, desmaio em um sono profundo e sem sonhos.
Durmo com a delicadeza do vento. Sei que estou segura. Eles estão ao meu redor.

Sorrindo para mim. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Meu Eu Único



Os Dois Lados da Moeda 


Ela se vê no centro da enorme sala. Era redonda e alta. E desde o chão até onde a vista alcançava no alto estava cheia de espelhos. Colocados em fileiras nas paredes. Um em cima do outro. Todos eles eram iguais. Retangulares, com dois metros. Suas bordas eram de prata. E refletido em cada um deles dava para ver mais mil espelhos, um dentro do outro. Do alto, uma luz fria iluminava parcialmente o aposento, não era do Sol nem da Lua. Era somente uma luz. Sem vida.
Ela estava curiosa. Que sala seria essa? Procurou o homem que a trouxera para lá mas não o viu em lugar nenhum.
Um movimento em um dos espelhos a sua frente chamou a atenção da garota. Ela olhou para trás, procurando a origem. Mas nada viu além de mais espelhos refletindo mais mil espelhos. Ela encarou o espelho a sua frente novamente, esperando algum outro movimento. Foi se aproximando silenciosamente. Tinha medo de que qualquer barulho pudesse acordar algum perigo à volta.
Chegando a frente, viu seu reflexo e outros mil espelhos refletidos com mil outras versões dela olhando para eles. Ela se pois a observar o belo objeto. Em sua terra, nunca vira algo tão belo e simples. O vidro era claro como agua pura. A prata era delicada e brilhante, como se fosse feita dos raios da lua cheia. Era tão límpido que nunca parecia ter sido tocado. E tão fino que provavelmente se partiria com uma brisa de verão.
O intuito de tocar o belo objeto era tão grande que não se segurou. Elevou a mão devagar, até a altura dos ombros. Excitou temerosa. Seus olhos grudados nos olhos refletidos. Então uma cabeça se mexeu. Uma de suas mil cabeças saiu da perfeita linha refletida e a olhou, como se com medo, e voltou ao seu lugar rapidamente. Ela deu um grito, tampando a boca com as mãos. Saltou para trás e encarou suas outras mil versões fazendo o mesmo movimento perfeitamente. Ela estava vendo coisas, pensava.
- Você não está vendo coisas. – A voz cantada em seu ouvido fez ela se virar rapidamente. Ela não tinha visto outro reflexo além do dela, não previu uma aproximação.
Era o homem. Bem ao seu lado. Sorria delicado, mas seus olhos eram pesados.
- Quem você viu, era você. Uma de suas você. Uma de suas personalidades. Elas são instruídas a fazerem tudo igual você faz. Agir, falar... Mas algo deu errado em sua fabricação e algumas delas se tornaram mais... Explosivas. E é isso que faz seu temperamento ser tão inconstante. Além do mais, isso permite que você veja as coisas de forma diferente.
“Mas não é só isso. A sua você principal, diremos assim, tenta sair de seu padrão de fabricação. E isso enlouquece seu cérebro. Para agradar aos outros e talvez até a si mesma, você tenta ser diferente. Isso faz com que você se perca, deprima e se entristeça por não conseguir se mudar. O mais interessante – Ele olha para o espelho, encarando a cabeça que se mexeu – é que você não quer mudar. O seu eu mesmo está lutando.”
Ela nada dizia. Lembrou de sua vida. De como lutara em inúmeras situações tanto para ser ela mesma quanto para mudar-se. Lembrou-se de se ajoelhar e implorar a um alguém que não a compreendia para não deixa-la. Que ela era incompleta sem ele. Que ela tinha se mudado por ele. Lembrou-se de se esconder dos outros, pois não era compreendida. Mas como ela seria compreendida se nem ela mesma conseguia fazer isso?
Ela se viu caída, inúmeras vezes, derrubada pelo mundo, sem conseguir se levantar.  Perguntando, implorando, ordenando por uma mão amiga. Mas ela se afundava cada vez mais. O poço já não era fundo o bastante para ela.
Fatos de sua vida passaram diante de seus olhos. A explicação do homem era simples. A culpa era dela e de sua mente. Ela era quebrada, nasceu assim e sempre seria assim. Por mais que tentasse, nada que fizesse faria efeito. Sua mente era uma loucura. Teria ela de ceder a loucura?
Um sussurro começou a ecoar pelo ambiente. Era agudo e suave. Encheu a mente da garota como se hipnotizasse.
“Ceda a mim, ceda a mim”.
Essa voz foi aumentando vagarosamente. O brilho dos espelhos a se intensificar. E bela viu as mil dela refletidas no espelho. Estavam valsando. Mil em cada espelho. Atravessando para outro e mais outro, valsando ao som do sussurro e sua melodia. Então ela se viu girando e rodopiando juntamente com as mil dela refletidas. Embriagada. Ela não pensava mais.
Ela parou no meio do salão. Um dos espelhos havia se apagado ao fundo. Depois outro, depois outro. Mil espelhos se apagaram ao meu redor, mais mil acima. E atrás. Meus outros eu desaparecendo. O homem no meio do salão foi se transformando. Empalidecendo até se transparecer. Aumentando. Se afinando. Então, no final da transformação, ele era o mais imponente espelho que havia naquela sala.
Ele não era feito de prata ou outro. E nem cravejado de diamantes. Ele era manchado, enorme, sem borda alguma. E não parecia ser feito de nenhum tipo de material físico. Era como uma neblina.
Ela se via frente a frente o que antes, era um conhecido. Era com certeza um espelho, pois ela se via. Mas somente a ela. Não havia nada ao redor. Seu reflexo era destorcido. Como o espelho neblina. Ele se multava. Suas feições se alongavam, diminuíam, ondulavam, Além disso, ela percebeu que a medida que se encarava via suas feições mudando. Suas roupas e idade também transpareciam diferentes. Cada rosto que aparecia a sua frente era um sentimento. Um momento. Uma lembrança. Uma personalidade.
Um adorno surgiu na parte de cima do grande espelho. Grandes palavras prateadas com os dizeres “Psy” se floreavam.
Os rostos continuavam e multando. Sua velocidade aumentava aos poucos. Cada um com sua característica. E de cada boca se sussurrava “psy, psy”. As vozes encheram o grande salão. Cada qual atropelando a outra com o aumento da velocidade.
“psy, psy, psy”.
Já não podia se ver ou distinguir os reflexos no espelho. Era somente um borrão, mudando alucinantemente. Confundindo a mente dela. O grande objeto começou a se esvair. A neblina se dissipando devagar. Ele se iluminou. Sua velocidade e as vozes eram indescritíveis e inteligíveis. Ela deu um passo para trás. Um grito agudo tomou conta do salão. Ela caiu de joelhos no chão tentando desesperadamente abafar o som agudo que tomava conta de sua alma e feria seu corpo como a lamina de um punhal.
Tão de repente quanto começou, ele se sessou. Silencio absoluto. Ela estava ofegante. Seus olhos cerrados com todas as suas forças tentando conter seu corpo exaltado. Sentiu seus joelhos se impregnarem com algo quente e viscoso. Abriu seus olhos devagar. Seu corpo se congelou e foi como se ela tivesse morrido e voltado. Todo o chão era vermelho. As paredes escorriam vermelho. Vermelho gritante. Tão vermelho quanto loiro avermelhado. Vermelho quente. Como lava, descia do infinito teto pelas paredes, chegando ao chão e se espalhando. E o espelho tinha se esvaído. Em seu lugar uma enorme poça de sangue vermelho se encontrava. E uma pessoa estava lá.
Ela não era o homem, não era um desconhecido, nem era seu amado. Ela se pois de pé. Encarava a estranha conhecida. Era como se olha no espelho. Era ela. Coberta de vermelho. Seus cabelos negros caiam em cachoeiras pelo seu corpo. Vão se via roupa nem nudez. Era como se estivesse com um longo e belo vestido.
A ela vermelha abriu os olhos e soltou uma orgulhosa e ressentida gargalhada. Soltava todos os sofrimentos passados, as dores e decepções nessa doentia gargalhada. Ela negra caiu de joelhos aterrorizada. Todo o chão agora estava vermelho.
A vermelha começou a cantarolar. Dando pequenos passos, andando em círculos em volta da figura caída. Ela negra agora entendia. Era ela. Lutava para encontra-la a vida toda, e agora que ela estava diante de seus olhos, não tinha forças nem para ficar de pé. Os maus sentimentos voltaram a tona. Então o toque de sua própria mão refletida tocou-lhe o ombro. Energia elétrica passou pelo seu corpo e ela sentiu ódio. Não poderia estar acontecendo. Só agora que lhe aparece? Ela se levanta de um salto e agarra com violência seu outro eu. A vermelha refletia seus movimentos quase que igualmente.
Nada mudou quando ela tentara fingir. Agora ela via como era realmente. Encarou-se. Os dois pares de olhos se refletiam. Identificaram-se. Ela era sua mão amiga. Ela era sua luta. Ela era sua morte. Tudo  o que ela queria era saber e se conhecer. Agora estava feito.
Tinha implorado a vida toda por algo que não existia. Estava cara a cara com ela mesma, e a única coisa que queria fazer era se destruir. Como sempre fez... Ela parou. Ainda agarrando violentamente o braço uma da outra. Não fazia sentido. Por que ela sempre se destruía?
Ela viu todos os detalhes de seu próprio eu. Seus pensamentos, seu jeito. Tudo se encaixava perfeitamente. Uma controlava e a outra ficava na sombra. Uma mandava a outra obedecia. Mas quem era quem? Ela se afastou de seu eu. Seu olhar era vago. A outra sorriu e um arrepio passou pelo corpo dela. Era o sorriso do homem.
- Finalmente encontrou você mesma. Eu estava dentro de sua mente o tempo todo. Você acreditava em mim de tal forma que me materializei da forma que te agradava. Satisfazendo-lhe. Você tentava mudar mas era impossível. Seus esforços foram em vão. E era isso que te enlouquecia. Você não precisa mais sofrer... – deu uma pausa, séria, e continuou – Você tem um poder incrível.
Tão rápido como um suspiro, ela beijou-a, ardente e apaixonadamente. Fazendo seus corpos ferverem. Ser retribuída foi mais caloroso do que o próprio ato. Suas bocas se juntavam perfeitamente. Elas eram um.
Ela se afastou, com seus olhos fechados. Sorrindo. O abraço que se seguiu era mais alto e frio do que antes. Abriu seus olhos e quem a abraçava era o homem. Estava em total paz. Mexeu lhe nos cabelos e ficou de frente para ela. A outra não estava mais lá. Ela era a outra. Olhou seu próprio corpo cheio de vermelho. Um vestido feito de sangue e lava. Puro fogo. Assim como ela.
O chão começou a mudar de cor. Além do vermelho outras cores começavam a aparecer. Cores flutuantes e suas músicas serenas formavam  o cenário ao redor. Pedaços de espelho flutuavam como neve nova. O chão era pura cor. O céu era ouro e infinito. As cores levantavam-se com a música, nascendo. Ela se vira para o homem. Ele continuava a sorrir.
- Eu sou Gabriel e este é seu reino.
Cores de todos os cantos se juntaram e formaram uma bela tiara delicada em seus cabelos negros.
- Agora que fiz tudo que desejaste... Está na hora. Você, em Terra, compactou que seria minha. Te dei tudo oque desejou, lhe fiz todos os desejos. Agora está na hora de cumprir sua parte do pacto.
- Farei tudo o que desejar. Serei sua. Para sempre.
A conhecida canção que sempre ouvia seu amado na Terra cantarolar para ela começou a soar, bela e delicada, no ambiente. Gabriel estendeu suas assas e a acolheu no seio de sua alma.

domingo, 11 de maio de 2014

O Homem


Os Dois Lados da Face



Ela olhou em volta, aturdida. Era um homem. Pelo menos parecia que era pelas roupas que usava, mas seu rosto parecia coberto por uma nuvem negra.  Como uma máscara flutuante. 
Seu coração disparou. Seu corpo congelou. Ela o conhecia. Aquela doce voz já havia lhe falado antes, em sua cabeça. Já haviam conversado inúmeras vezes. Diálogos que ela as vezes achava que eram simples monologos, mas que no fundo, ela sabia que ouvia uma resposta. E que fluiam tão bm como os ventos de outono. 
O homem lhe sorriu. Era sarcástico. E um ar de mistério emanava dele. Sua pose descontraida não combinava com seus olhos atentos. Olhos... não conseguia ver nada em seu rosto com clareza além dos olhos. Grandes olhos verdes. Verde musgo. Sem brilho. 
" Venha aqui." - Ele me estendeu a mão, como um velho amigo, e sua voz ficou doce e gentil. Me embriaquei com seu mel. "Será ele mesmo? E se for, não deveria ter eu medo dele?" - Estava confusa. Ele já le havia feito muito mal, mas era sua companhia em horas que ninguém era. Sempre com ela. Ela nunca estava sozinha. 
Percebeu a mudança no ar com esses pensamentos. "Ele ouviu" - Sobressaltada, ela se sentiu pela primeira vez, com medo desse misterioso ser, que tanto a acompanhou.
= Quem é você? 
As palavras sairam em um sussuro de sua boca, como fumaça recém tragada. As palavras se formaram no ar a sua frente e se dissepando a medida que a outra era pronunciada. Fumaça colorida. Ecoaram pelo ambiente. Até chegarem ao homem. 
- É melhor nós sair-mos daqui. 
Simples e direto. Ele se aproximou apassos rápidos, a agarrando elo pulso. Era ágil.Logo estavam indo, mas, para onde? Ela olhava ao redor. Tudo parecia um borrão de cores esfumaçadas e escuridão. Ele não diminuiu o passo. Constante e decidido, ele seguia. 
Pararam. Parecia o mesmo lugar de onde haviam saido, de acordo com ela, olhando ao redor. Só não possuia o buraco no chão. Era só escuridão. Ela fixou os olhos no homem. Ele se dirigia para uma sombra mais escura que o resto. Um feixe de luz surgiu no meio da sombra. Era uma porta. Uma porta de fumaça. Ela estranhou. Portas são feitas de madeira maciça, não de fumaça, mas via-se a maçaneta e a luz saindo pela fechadura. Além da divisórias. Então era uma porta. 
Ele mexeu em algo do bolso da calça e tirou uma chave. Uma chave comprida, meio sombra meio prata. Ornamentada com rubis. Eles se mexiam, seguindo o material semi fumaça, semi prata, como se tivessem grudados com imas. Era mágico. Ele colocou a grande chave de fumaça na porta de sombra, tampando o feie de luz. Um creck ensurdecedor encheu os ouvidos dela. E o ramger de mil fechaduras se destrancando, uma atras da outra, se seguiu.  O homem deu um passo para trás e a porta se abriu, rangendo alto. Uma luz branca encheu o ambiente mas nada era visto mais do que antes. 
Ele a encarou, sério. Metade de sua rosto era só luz branca. A outra metade se confundia com as sombras. Ela foi se aproximando devagar. A cada passo que dava se sentia mais curisoa e amedrontada. Parou ao lado do homem. Em frente a luz branca. Olhou para dentro mas nada se via. Sentio um toque frio percorrer sua mão e dedos fortes se entrelaçaram com os seus. Ela o olhou. Ele sorria. E ela pode ver seu rosto. 
Era um belo rosto. Com um nariz romano forte e uma mandibula forte. Era jovem, não parecia ter mais que 21 anos. Era mais alto que ela pouca coisa. E vestia um terno cinza, que contrastava com seus olhos. Seus cabelos negros e rebeldes  deixavam mais elegante ainda. 
Então a luz os absorveu. 

As Cores



  Depois da Porta 

"Abra os olhos. Eu estou lá. Girando, girando, girando...Você não pode me ver. "

Ela não sabia onde estava. Longe o lugar que se encontrava. Ela não era mais ela. Já era outra, ela. Abriu os olhos. O redemoinho em sua mente gritava em seus ouvidos. Ela não sabia onde estava. Mas... onde está a porta? Ela procurou, observando ao seu redor. Lugar estranho. Mas não tinha ninguém. Só ela. Só então percebeu que estava sentada, não sabia em que. Era muito macio. Tão macio quanto uma nuvem. Mais estranho ainda. Ela nunca havia sentado em algo como isso. Ou estado em um lugar como aquele... mas alguma coisa a fazia sentir-se em casa. Como se aquele fosse seu lar a muito tempo atrás. Em épocas que ela não se lembrava.
Estava tudo escuro. Ela não via luz, não via gente, não ouvia nem sentia nada além daquele chão de nuvens. Mas não sentia medo. Aquela era sua casa. Percebeu então, que não sabia as horas. Ora, poderia ter se passado muito tempo desde que chegou à aquele lugar, ou tempo nenhum. E seus pensamentos? Também não sabia quanto tempo havia pensado. Intrigante. O tempo lá não parecia normal, aliás, nada parecia naquele lugar.
Ela se levantou. Estava curiosa. O que poderia ter naquele novo lugar conhecido? Ela só via seu próprio corpo. Como uma estrela que tem luz própria. Riu-se disso. Havia uma época, não sabia se era muito ou pouco tempo, que um alguém disse-lhe que tinha uma luz dentro dela. Uma luz especial. Uma época bonita e triste, omo o por do sol. 
Estava nua. Ela se viu brilhando e nua. Sua pele se dava bem com a luz. Era banca como papel e a luz lhe dava uma impressão de magia. Olhou para cima. De onde vinha a luz? Ela nada encontrou além de mais escuridão. Talvez estivesse dentro de uma caverna... ou uma caixa. 
Começou a caminhar a passos mansos. Percebeu que a macies que se sentara não existia para seus pés. Sentia o chão frio e fresco, com uma leve brisa lhe passando entre os dedos. "Um chão flutuante" - pensou. Era como ar endurecido que ainda sopra delicadamente. 
A medida que andava, a cada passo, ela percebia que algo ocorria mais a frente. Cores começavam a surgir do chão, rodopiando delicadamente para cima e se espalhando ao redor. Cores vivas. Elas nasciam. Uma delicada melodia elas faziam. Ela se assustou. Cores não poderiam se comportar assim. Só quando colocamos um pincel com tinta fresca na água. Mas mesmo assim, era totalmente diferente.
Uma pequena voz começava a brotar de sua mente. Essa voz não vinha de lugar nenhum mas estava em todos os lugares. Uma voz mágica, que parecia música. Que falava. Soava. Desaparecia. E logo estava lá de novo. Que nascia e morria dentro dela. Uma voz azul. Brilhante. 
As cores aguadas já estavam tocando seus pés. Se ondulando a sua frente. Enrolando-se no seu corpo. Cores e músicas. Sons nunca ouvidos por ouvidos normais. E o quadro foi se formando. Sendo pintado e tocado. Ela tinha os olhos brilhantes e fascinados como os de uma criança. Tudo era cor. Mas não tinham forma. Cores e músicas sem forma. Elas não tinham linhas. Elas não tinham padrões, nem formas, nem regras. Ela sabia disso. E gostava. Tinha pessoas que não gostavam nada disso. Essas pessoas que queriam as coisas como são. Que não viam o que ela estava vendo agora. 
Então ela se lembrou.
Já havia visto essas cores, essa música, em sua casa, em sua quarto, em sonhos. O diferente era que elas não tinham essa brilho e magia que tinham ali. Ela tinha o cérebro a mil. Se já as havia visto antes, só que diferentes, e agora as veem como são (ou não) então, ela já não estava mais em seu mundo. 
Desde pequena ela as via. Sabia que elas não faziam parte do mundo normal.
Então ela lembrou da porta novamente, e o que havia acontecido antes dela também. Se lembrou do corte, da sala, da luz. A medida que lembrava, os ramos das cores foram se escurecendo e apodrecendo. Pedaços de cores, como cacos de vidros, foram se desprendendo de seus lugares e caindo ao chão, se desfazendo em pequenos brilhos e sumindo antes de tocar ao chão. Enormes ramos, gigantes cores, foram caindo. Escureceram. A música foi se tornando uniforme e ensurdecedora. Era uma única nota estridente e perturbadora. Estava a enlouquecendo. 
As suaves cores já não existiam mais. Em seu lugar surgiram ramos de uma única cor. Vermelho. Mas não era o belo vermelho carmim. Era um vermelho morto, marrom. Como sangue escurecido. Ele surgia do chão. De um único lugar. Então se espalhava, devagar. Um vulcão derramando sua lava preguiçosa e perigosamente. Ela foi se aproximando da nascente. Assustada. A passos desconfiados. A cor cobria seus pés até os tornozelos. 
Olhou para dentro do buraco. Era comprido e profundo. Tão profundo... Ela foi se aproximando. A rachadura tinha um aspecto curioso. Poderia caber um homem lá dentro. Até mais. Ela sentia-se hipnotizada. A sinistra canção que vinha daquele lugar a chamava. Todos seus instintos a falavam para corres, sair dali o mais rápido possível, mas algo a impedia. A cor e o som pareciam prende-la ali. 
Já estava na beira do abismo quando uma voz a fez pular. 
"Eu não faria isso se fosse você". 




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vozes Sussurrantes


  • "- OI.
  • - ...
  • - Oooi!
  • - O que você quer?
  • - Conversar s2
  • - ... hum
  • - Você já reparou no vento?
  • - Vento?
  • - Sim, o vento. O que ele diz pra você?
  • - O vento não tem voz pra falar, tola.
  • - Claro que tem! Como você acha que ele conversa com a natureza para começarem a dançar?
  • - Que merda que você está falando? Deixe de me confundir.
  • Ela se cala por alguns minutos, pensativa. Observa o céu crepuscular. Seus olhos cintilam como as estrelas no céu e a lua reflete em seus traços infantis. Suas sobrancelhas estavam tensionadas, coisa que não combinava com seu rosto inocente. Depois de alguns instantes no silencio da noite, ela se vira para mim com ar sério e recomeça.
  • - Quando o suspiro do mundo bate nas calmas águas do mar, eas se revoltam, e as ondas começam. Cada vez mais altas. E só o acalentar doce e quente das areias da praia podem acalma-las de novo. Mas não culpe o sopro. Ele não tem culpa. Só queria brincar. Você não esculta sua discussão? E quando a brisa toca nas flores e espalha seu delicado pólen para o mundo. Começando uma doce melodia que sobe até o espairecer dos céus. Como não pode escultar a música delicada que se segue? Fina e tranquila. Ela me embrulha a alma com inebriante mágica...
  • Ela se interrompe. Eu, que escultava tudo com extrema atenção, me comovi. Eu já escutei. A delicada música do mundo. Tudo nele fala. Tudo nele canta.
  • Saio de meus devaneios e me viro para o rosto angelical novamente. Um delicado cristal escorria pelo seu pálido rosto fresco. Meu coração se fechou com a dor de uma apunhalada. Sorri com delicadeza. Tirei seus claros cabelos dos olhos e disse-lhe.
  • - Eu os vejo. Mesmo que a idade não me permita mais. Mesmo que a sociedade se recuse a aceitar esse fato. Eu os vejo, os sinto e os esculto. Você não está só. E nunca estará.
  • Duas esmeraldas gigantes focam seu brilho em mim, com real surpresa e espanto. Sua incredulidade me fez sorrir mais ainda. Com vagareza, seu rosto voltou ao brilho celestial novamente. Sua risada delicada encheu meus ouvidos com seu toque musical. Graciosos braços se jogaram ao meu redor, me abraçado. Me esquentou a alma como num dia frio de inverno que tomamos chocolate quente. Inebriante era seu cheiro.
  • Meu pequeno anjo se levantou. Sua alegria toda recomposta. Meus olhos cansados a acompanhavam a fio, não queria perde-la de vista nenhum instante. Ela sorria.
  • Sentada naquele chão frio. Com as plantas se enrolando em meus tornozelos, eu ouvi.
  • 'plim, plim'
  • Olhei para cima. As estrelas tinham voltado a cantar. O Vento não ficou para trás. E logo tudo ao redor sincronizava uma melodia perfeita. Tocava a alma. Só os ouvidos mais finos poderiam escultar. Era mágico.
  • - Eu tenho de ir...
  • Olhei com curiosidade meu pequeno anjo. Ela me observava com ternura e saudade.
  • - Os outros me chamam. - ela me disse, sorrindo, preocupada.
  • - Eu sei.
  • Ela foi se distanciando a curtos passos. Seu brilho se esvanecendo. Já podia ver através dela quando uma forte rajada de vento passou por ali. Fazendo as árvores reclamarem, as folhas se levantarem do frio chão e meus olhos se fecharem.
  • Meu pequeno anjo já não estava lá.
  • Sorri com tristeza. Eu não me permitiria perde-la. E não saberia dizer quando a veria novamente.
  • Só o vento poderia me dizer. Ele me diria com certeza.
  • Me levantei, limpando a terra do meu jeans.
  • 'Sim, ele me diria. Só prestando atenção ao seu chamado e canção que teria meu doce anjo de volta. Só assim poderia vê-la novamente.'