segunda-feira, 9 de junho de 2014

Doces Pesadelos





Tarde da noite. Lua cheia alta no céu. Sua mente estava absorta no álbum de Gorillaz que tocava ao fundo e seus olhos não desgrudavam do viciante jogo de RPG online. Passava o dia assim. Jogo, música e erva. E nada mais importava, era a sua paz.
Só algo a incomodava.
Sua mente estava parada. Apesar de inspirações constantes irem e virem, ela não as aproveitava. Estava diferente. Algo em si mudara.  Todos que a conheceram antes sabiam o que era. Somente ela não conseguia identificar o que exatamente era diferente.
Se sentia em outra dimensão. Uma dimensão mais colorida. Psicodélica.  Era algo que ela não havia experimentado antes e não sabia reagir a tal coisa. Seus pensamentos só ficavam em sua mente. Muitos deles que ela adoraria descrever com facilidade mas não podia. Sua lado artístico não pertencia a tal lado.
Ela queria sair, agir, mudar, viver nesse novo mundo colorido. O preto e vermelho não haviam sumido, claro. Todas as noites a aranha da desolação e desespero a picava com sonhos e pesadelos de mundos extraordinários e desolação. Morte e luta. Perdas e conquistas. Fracassos pessoais. Pensamentos perigosos e viciantes. Atos.
E ele sempre está lá, com ela. Envolvendo-a com sua adorável e inebriante energia. Ela sabia, só não sabia por quê ele se fortificava longe de casa. Será que algo a protegia? Talvez...
E os os sonhos continuavam. Sonhos de luta contra monstros e mortes de amigos. De escuridão e vícios. Poderes sobrenaturais, mágicos. Castelos e refúgios. Era nesse mundo que vivia. Mesmo com seus olhos abertos, ela sonha. E a aranha continua lá. Era ruim, ela sabia, mas não podia evitar. Era tão delicioso.
Seu medo nã era da morte e nem da luta. Ela temia a perda de quem a respeita e ama. Apesar de afirmarem com total convicção de que não a deixariam e não seria julgada, ela temia.
Seu outro mundo estava em perigo. Era o mundo real para os outros, e de ilusão para ela. Pois ela vivia na fantasia. Ela vivia na noite, sobrenatural.

E era lá, no meio da guerra entre monstros, que ela sentia sua paz. Onde a aranha manda. A aranha que só ela pode ver. 

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